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Artigos
Ciab 2003: Como serão os bancos no futuro?
- Junho/2003
Por: Henrique Costabile |
No mês de Junho foi realizado o Ciab 2003 com o patrocínio da Febraban, evento que teve mais uma vez um enorme sucesso, tanto pela participação ativa dos executivos ligados ao setor bancário como pela ampla gama de produtos e serviços apresentados na feira de exposições.
Foram feitas várias apresentações no Congresso que nos ajudam a refletir sobre o futuro dos bancos e da tecnologia aplicada ao segmento financeiro.
Tivemos a oportunidade de apresentar um trabalho feito em parceria com o consultor Luis Marques de Azevedo, que suscitou muito interesse dos participantes. O trabalho consistiu numa pesquisa feita com 15 Instituições Financeiras para aferir as tendências tecnológicas no atual cenário econômico e foi baseado em entrevistas com os principais dirigentes das áreas de negócios e de TI dos bancos. O resumo das informações obtidas dos entrevistados foi cotejado com as atuais tendências tecnológicas e foi feita uma modelagem dos bancos, considerando as novas demandas dos clientes e dos negócios.
A pergunta básica foi: Como serão os Bancos no Futuro e qual o papel da Tecnologia?. A ênfase maior foi dada para as visões de longo prazo.
O trabalho está publicado na íntegra no site www.thaler.com.br . No entanto faremos aqui algumas menções sobre as principais conclusões do mesmo. Primeiramente vamos examinar os itens prioritários dos CEO´s dos bancos. O objetivo permanente destes é conquistar a liderança no negócio para assegurar crescimento sustentado e a rentabilidade do banco. E para isto têm como metas crescer com rentabilidade, focar o atendimento e serviços aos clientes alvos, expandir a oferta de produtos e os canais de distribuição, alavancar os relacionamentos com vendas cruzadas e finalmente continuar a identificar oportunidades de fusões e aquisições para consolidar sua posição de mercado.
Como conseqüência das estratégias negociais os CIO´s manifestaram as 10 principais preocupações, ou prioridades ligadas ao alinhamento estratégico de Negócios e Tecnologia. O foco principal é mostrar que a TI pode contribuir com valor aos negócios, melhorando a competitividade, produtividade e custos.
Os CIOS’s mencionaram também que apenas as funções vitais de TI deverão permanecer sob o domínio da empresa, sendo que as demais podem ser terceirizadas. O item segurança foi bastante enfatizado e deverá merecer investimentos continuados.
Outros aspectos interessantes foram as formas como vêm evoluindo as demandas das áreas de negócios para as áreas de suporte e TI. No passado, quando a tecnologia ainda não era dominada por todos na organização, os pedidos eram pontuais e referiam-se a serviços de programação. A forma destas demandas evoluiu para implementação de projetos, engenharia do negócio, para finalmente chegar à estratégia do negócio em si. Assim, os profissionais de TI não são mais chamados para “escrever um programa” e sim para “resolver um problema de negócios”. Esta transformação na demanda mudou em muito o perfil profissional de quem trabalha na área.
Agora os novos profissionais devem ser capazes de dominar processos de negócios e sugerir novas estratégias comerciais, usando novas tecnologias emergentes. De uma maneira geral, o principal desafio continua sendo atuar num mercado cada vez mais competitivo. Haverá mudanças no tradicional “foco no cliente”, para um “foco no comportamento do cliente”, procurando se antecipar à sua necessidade.
Os novos produtos deverão ser diferenciados por tipo de demanda no marketing one-to-one e os canais de distribuição deverão ser ampliados através das franquias.
Por outro lado, o enfoque em reengenharia vem sendo substituído por um enfoque em processos baseados em workflow, havendo tendência para a adoção de plataformas em software livre.
A Internet mereceu um destaque especial, em virtude da sua potencialidade no oferecimento de serviços, como canal e como instrumento de desintermediação e de aceleração de processos. A Internet é também vista como um vetor para a inclusão digital e uma maior bancarização de clientes.
O uso de tecnologias wireless também deverá prevalecer no futuro. O Banco Móvel deverá ser uma realidade. A introdução de novos equipamentos para o acesso aos serviços, de novas redes digitais de telecomunicações permitirá aos clientes um melhor acesso, de forma mais completa e o surgimento de novos produtos bancários.
Os bancos continuarão trabalhando firmemente para encontrar as melhores estratégias competitivas para melhor atender seus clientes e com isto poderem contribuir com o desenvolvimento econômico e social. Para tanto deverão estar muito atentos à compreensão das necessidades de seus clientes e à preparação de seu capital intelectual e tecnológico para vencer os novos desafios.
Para tanto, deverão estar permanentemente revalidando sua vocação, seu posicionamento mercadológico, seus mercados alvo, o impacto das novas tecnologias, a logística de distribuição, suas estruturas técnicas de vendas, monitorando resultados e melhorando seus instrumentos de gestão.
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