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Adaptabilidade da Tecnologia - Abril/2002
Por: Henrique Costabile
No Brasil tem-se um grande número de pessoas portadoras de deficiências físicas e, a regulamentação da Lei 7.853/89 , a instituição da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e o Decreto 3.298/99, firmaram em nosso ordenamento jurídico, os princípios de não discriminação e igualdade de oportunidades, baseados em conceitos amplos de inclusão social, visando dar apoio e suporte ao portador de deficiência para a vida em comunidade.

O modelo assistencialista foi rompido pela Constituição de 1988, assegurando-se a igualdade de oportunidades baseada no princípio de tratamento igual aos iguais e desigual aos desiguais, na medida de sua desigualdade, de forma a se assegurar igualdade real. Reconheceu-se que a sociedade é caracterizada pela diversidade, pois é constituída de indivíduos diferentes entre si.

Nesse contexto o que estão fazendo os bancos para melhorar o acesso das pessoas aos seus sistemas? Qual o significado do acesso universal à tecnologia? Como identificar as principais iniciativas estratégicas no ambiente de trabalho e remover as barreiras existentes, permitindo que indivíduos portadores de deficiências exerçam suas habilidades e competências?

Ao discutir-se tecnologia adaptável e acesso universal uma pergunta permanece no ar: o que está sendo feito para incluir indivíduos portadores de deficiência em todos os aspectos da vida diária?

John Hockenberry, escritor e repórter americano, também portador de deficiência física, afirma em publicação de agosto 2001 que os portadores de deficiências estão na dianteira de uma tendência social mais ampla para o uso da tecnologia adaptável. Hockenberry sugere que os indivíduos com inabilidades adaptaram várias formas de tecnologia para atender suas necessidades de comunicação, de movimento e da interação com seu ambiente. Esta perspectiva é influenciada pela suposição de que a interação entre o corpo e a máquina é influenciada pelo ambiente sócio-cultural do indivíduo.

O ano de 1981 foi designado como Ano Internacional dos Portadores de Deficiências Físicas e, esse reconhecimento permitiu que grandes progressos fossem realizados no que tange o acesso físico aos locais por parte dos portadores de deficiências. Posturas municipais e códigos de construção civil foram alterados para facilitar o acesso e a locomoção dessas pessoas. Atualmente discute-se os acessos baseados em inclusão social, aspectos intelectuais e de competência para essa parcela da população.

Os especialistas da tecnologia de informação estão direcionando seus esforços para as áreas de acessibilidade e facilidade de utilização dos produtos. A forma e a funcionalidade de um produto final são definidas pelo uso da tecnologia e do seu impacto no desenho do projeto; seja uma cadeira de rodas, um implante de marca-passo, um teclado ou um programa de computador. Hoje se reconhece a necessidade de caminhos alternativos para a comunicação, o movimento e a interação. O acesso universal e a tecnologia adaptável são campos que certamente sofrerão grande expansão.

No Brasil também se observa o crescimento da população de indivíduos de maior idade com certas inabilidades e que constituem uma população marginalizada no mercado de trabalho geral.

O resultado do Censo 2002 nos revela que de 1995 para 1999, o número de pessoas com 60 anos ou mais de idade cresceu 14,5%. O lento porém contínuo processo de envelhecimento da população fez com que o grupo de pessoas idosas passasse de 7,4% em 1989 para 8,3% em 1995 e alcançasse 9,1% da população em 1999. No Sudeste, que deteve o maior grau de envelhecimento, em 1999 os idosos já representavam 10,0% da população.

Os executivos de TI estão identificando essas mudanças no perfil populacional e as novas necessidades desses usuários. Dentre os novos objetivos corporativos notamos (1) foco em pesquisas, testes e desenvolvimento de produtos acessíveis, e (2) entrega de sistemas acessíveis para usuários finais. Com forte apoio da alta administração, as empresas passam a assegurar que os novos sistemas e aplicações possam ser usados por uma diversificada base de empregados e clientes. Isto inclui, aqueles para os quais a tecnologia se mostrou historicamente inacessível.

Nos Estados Unidos, alguns bancos estão promovendo e divulgando em seus websites, os padrões e as regras de acessibilidade que definem a política adotada para a organização. Em geral eles buscam seguir os guidelines do consórcio W3C (www.w3.org) e de seus padrões de WAI - Web Accessibility Initiative que são reconhecidos pelo governo americano como as melhores práticas da indústria. Consultores de acessibilidade exercem importante papel junto a essas instituições ao estabelecerem padrões de monitoração que permitem a verificação da conformidade da acessibilidade aos aplicativos desenvolvidos com relação às regras estabelecidas.

Um dos objetivos estratégicos dos bancos americanos tem sido assegurar que a tecnologia pode estar ao alcance de todos, com foco específico em empregados e clientes com algum tipo de dificuldade. Fazer com que isto aconteça requer visão e recursos. Variáveis tais como a análise das necessidades, orçamento, planejamento estratégico, estruturação e execução são elementos críticos para a concretização da mudança.

Ao ingressarmos no século 21, grandes corporações estão não apenas cumprindo a legislação pertinente, mas principalmente estão sendo guiadas por um senso comum de responsabilidade social para continuar a construir uma sociedade mais justa e igualitária.

As pessoas estão vivendo mais, o que acarreta maiores demandas para propiciar a estas pessoas melhores condições de vida. Emprego é uma variável importante no dia-a-dia dos indivíduos, sejam eles idosos ou portadores de deficiências físicas. Criar acesso ao emprego, através da tecnologia, é extremamente importante, e é uma responsabilidade social da qual não podemos nos eximir.

Os novos sistemas tecnológicos, sejam eles desenhados para atender clientes ou empregados, podem contribuir na melhoria da vida das pessoas ao valorizar as competências individuais e permitir o uso de suas habilidades, retirando as barreiras e permitindo, de fato, a inclusão social de todos.

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