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Artigos
Governo Eletrônico
- Junho/2002
Por: Henrique Costabile |
Quando se começou a dizer que todos os negócios deveriam se transformar rapidamente em e-businesses se eles quisessem sobreviver, poucas pessoas discordavam. O medo da entrada dos novos concorrentes e a rápida transformação na forma de trabalho de antigos rivais eram algo imprevisível. A introdução dos serviços de e-government não era orientada por variáveis tão extremas de receio, mas as recompensas para o sucesso ou o peso para o fracasso eram igualmente desafiadores. No âmbito governamental, nos seus vários níveis, incluindo as empresas estatais, a primeira coisa a fazer foi arregaçar as mangas e começar a trabalhar rapidamente. Se eles ainda não estavam bem preparados para a missão, eles deveriam começar logo, ou do contrário outras entidades em outras regiões iriam logo mostrar uma grande defasagem entre os tipos de atendimento. Serviços através de e-gov não apenas são mais eficientes, como são mais fáceis de entender e usá-los, trazendo grande satisfação para os cidadãos. Os bancos trouxeram uma grande contribuição para a mudança de hábitos no uso de sistemas computadorizados pelos seus usuários. Os serviços oferecidos pela web são fáceis de serem usados e trouxeram grande conforto para os clientes. E o governo, em suas várias esferas, o que começou a fazer? No inicio, os sistemas de e-gov nada mais eram do que o simples preenchimento de alguns formulários pela web. Para sair deste estágio inicial para sistemas totalmente integrados, a atividade tem requerido profundas mudanças culturais nas organizações e nos indivíduos. Normalmente o desenvolvimento destes processos se dá em quatro fases: •A primeira fase é o estabelecimento de uma estrutura de Internet segura e de bancos de dados integrados que permitam que os processos fluam entre vários departamentos. •A segunda é a entrega de serviços que são desenhados de acordo com as necessidades dos cidadãos e que possam ser acessados via web, de maneira segura e conveniente. O mais indicado é ter um portal único que englobe todos os serviços relacionados a um determinado tema e que defina de forma clara e transparente o relacionamento entre o governo e o cidadão. •A terceira é a criação de um espaço virtual para negócios governamentais, onde os departamentos possam difundir seus requisitos, comunicar-se com seus fornecedores, fazer concorrências, efetuar compras, pregões eletrônicos prestar informações, receber impostos, difundir como o orçamento público está sendo gasto, etc., de maneira eficiente e com transparência para a comunidade. •O estágio final é a inclusão digital. O governo e os políticos podem usar a web para fazê-los mais transparentes e responsáveis pelos seus atos perante seus eleitores, criar meios mais eficientes de consulta à sociedade e eventualmente evoluir para a votação on-line. Implementar projetos de e-gov é uma atividade complexa que requer não apenas visão, mas uma grande liderança política do mais alto nível. Um portal de e-gov pode operar em três estágios de complexidade: primeiro publicando informação e provendo links para websites existentes de outras repartições públicas; segundo estabelecendo um canal de comunicação para a realização de transações com os diversos departamentos e agências governamentais; e terceiro fazendo e realizando as transações envolvendo múltiplas agências. A melhor maneira de começar é indubitavelmente ter um portal extremamente simples e amigável e depois ir adicionando mais funções a ele. Um projeto inicial muito ambicioso, com muitas funções, mas sem infraestrutura adequada, cujo tempo de resposta é alto e apresentando falhas operacionais logo é abandonado pelos usuários e cai em descrédito.
Os projetos devem também evitar o foco na tecnologia em si e sim nos benefícios do seu uso. As melhores práticas têm demonstrado que a adoção de padrões e protocolos universalmente testados é o que tem dado mais resultado. O uso de uma tecnologia flexível, que permita rapidamente a implementação de maior capacidade de processamento, tem sido a historia de sucesso de muitos empreendimentos. Sabe-se que quando um determinado serviço governamental funciona bem, ele é imediatamente adotado pela comunidade. Nestes casos há um grande pico na utilização dos recursos e o provedor destes serviços precisa estar preparado para estas situações. Privacidade e segurança são aspectos extremamente importantes para o sucesso de serviços de e-gov. Entregando a cada cidadão uma assinatura digital, um cartão do cidadão, e mantendo os mais altos padrões de armazenamento da informação e privacidade nas transações eletrônicas, o e-gov irá não só trará maior confiança das pessoas na Internet para seus serviços, como criará um novo estímulo para a desburocratização e o uso de comercio eletrônico. Outra questão é a inclusão digital, que traz à mente que os menos favorecidos não terão acesso aos sistemas. No entanto, tendo em vista que todos os cidadãos de uma forma ou outra têm relacionamento com o governo, os e-gov podem criar incentivos para que a web seja o canal preferido por eles. O uso de totens de auto-serviço é um dos incentivos que está sendo largamente utilizado. Outro ponto a ser lembrado é que os sistemas de e-gov irão armazenar e recuperar muitas informações a respeito de cada individuo. Esta nova realidade fará crescer entre os cidadãos as preocupações sobre a privacidade e direitos individuais de liberdade.
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