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Globalização e TI - Janeiro/2003
Por: Henrique Costabile
Os mercados ultrapassaram os limites das fronteiras geopolíticas e tornam-se globais, mas a governabilidade das organizações não. Isto criou uma assimetria perigosa: A economia global opera-se em um reino anárquico sem regulamentação e sem a humanização das instituições. Podemos conviver com o chamado Darwinismo social elementar, no qual vigora a lei do salve-se quem puder? As fronteiras tornaram-se demasiadas porosas para segurar a economia dentro delas, mas permanecem suficientemente rígidas para impedir que a democracia saia.

A globalização trouxe uma mudança incrível nos valores da humanidade, seja pelos inúmeros benefícios que trouxe, seja pela diversidade de novos problemas - crimes, drogas, terror, ódio, pornografia, especulação financeira, etc. O resultado tem sido uma tensão crescente entre os agentes da globalização – ativos ou passivos-, tensão esta simbolizada pelos inúmeros atentados terroristas, no mundo.

Em junho de 2000 representantes de doze países democratas – incluindo não somente os regimes liderados por Bill Clinton, Lionel Jospin, Gerhard Schroder, e Tony Blair, mas também da África do Sul, Argentina, Brasil, e Chile – encontraram-se em Berlim para discutir como poderiam re-endereçar as injustiças internacionais. Algumas semanas mais tarde, quase 100 nações encontraram-se em Varsóvia sob a bandeira da "comunidade das democracias" para procurar um consenso mais amplo para um concerto democrático das nações.

As dificuldades que as nações têm com a globalização vêm não apenas da força do que está acontecendo na arena internacional, mas também dos desenvolvimentos ideológicos dentro dos países. A privatização e a descentralização do poder público central para estados, municípios e comunidades têm sido amplamente debatidas.

Na área de tecnologia fala-se muito em “convergência” onde se procura eliminar as características da separação do hardware e do software, os carriers e os detentores de conteúdo. Para um usuário comum, seria maravilhoso ter um serviço ou um produto com uma tecnologia “convergente”, pois o uso do serviço ou produto promete ser muito mais simples e amigável.

A integração vertical é uma condição da sinergia. Porém a convergência e a sinergia podem significar monopólio e um anacronismo num modelo econômico definido pela diversidade real, pela competição genuína, por mercados diferenciais, e por firmas múltiplas.

Serão os representantes das empresas “fornecedoras de soluções”, as melhores pessoas para dar forma e o destino ao país como sociedade da informação? Suas decisões devem se transformar em padrões para o resto do mundo? Estas perguntas incômodas não podem ser respondidas no contexto da política nacional. O desafio real é se nós podemos equacionar a erosão da democracia no ajuste assimétrico dos mercados globais.

Contudo a visão não é totalmente pessimista como o diagnóstico sugere. Por quê? Porque há uma alternativa internacional emergente aos mercados globais em organizações civis transnacionais novas e em movimentos sociais, e há ainda as estratégias políticas que podem estabelecer uma governança adequada aos interesses dos países.

A soberania nacional não tem sido muito destacada ultimamente. Porém a soberania das nações permanece como o eixo das sociedades democráticas e o único poder viável capaz de se opor e de civilizar as forças anárquicas da economia global. A sociedade civil organizada necessita da sustentação ativa dos estados soberanos para que suas instituições, tenham um crescimento mesmo que modesto.

Trabalhando juntas as forças progressivas dentro das democracias podem aumentar a voz da sociedade civil e defender os seus interesses para o bem de todos.

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